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Segunda-feira, Maio 31, 2004

"As utopias parecem ser bem mais realizáveis do que se poderia acreditar antigamente. E nós nos encontramos atualmente diante de uma questão angustiante de maneira bastante diversa: como evitar a sua realização definitiva?... As utopias são realizáveis. A vida caminha em direção às utopias. E começa um novo século, talvez um século em que os intelectuais e a classe cultivada sonharão com os meios de evitar as utopias e retornar a uma sociedade não-utópica, menos 'perfeita' e mais livre."
Nicolas Berdiaeff - ínicio do séc XX.

Será que as utopias foram realizadas? Ou elas se perderam? É difícil saber até que ponto evoluímos. Ter acesso ao mundo através dessa telinha é um avanço, sem dúvidas. Provavelmente, nem os maiores escritores de ficção científica pudessem pensar nisso. Salve a modernidade! Mas...e o sertão nordestino (não precisamos ir muito longe)? Um lugar que sofre de males que não cabem à um mundo moderno. Males estes, que eram objeto de discussões muitos séculos atrás. Os grandes pensadores da humanidade não previam que boa parte da humanidade ainda vivesse em condições subhumanas. E o que dizem os pensadores do séc XXI? Passadas as guerras, fascismo, bombas nucleares, socialismo, anticoncepcionais e computadores, o que esperar desse novo século? Haverá ainda grandes Utopias a serem realizadas?
Vivemos num mundo no qual a própria realização é o que importa. Individualismo é a palavra-chave desse novo período. É um caos constante: informações e poluição; terrorismo e religiões; modernidade e retrocesso. Quanto mais antagônico, mais próximo se está. Marx dizia que a religião é o ópio do povo. Mas que ópio é esse que provoca as guerras que assistimos no conforto de nossos lares? Mata-se por um motivo maior. E ficamos indiferentes por motivos ainda maiores. Clamamos por um voz que nos leve a redenção. Quais seriam os desejos dos homens modernos: a paz mundial ou um salário maior? A paz custa muito caro e estamos em época de liquidações.
Berdiaeff acertou a profecia, mas, errou o século. Muitos sonhos foram realizados no séc XX. Milhares morreram por seus sonhos. E muitos outros foram mortos pelos sonhos alheios. Surgiram grandes mitos, ícones de um século marcado pela vontade de sonhar e o poder de realizá-los. Mas, passado isso, depois dos heróis mortos, sobraram as celebridades. Estes sim, são os heróis do novo tempo. Não nos sobra tempo para sonhar com novas Utopias, ou sociedades perfeitas. O tempo, que é coisa escassa, é destinada à causas mais importantes como: a foto sem tratamento da capa da "Playboy", ou o novo namorado da estrela da novela.

CARLA LEMOS . [8:03:46 PM].


Naqueles olhos todo um horizonte
naquelas vidas, sede abundante...
naquela tela, aqueles olhos, o horizonte, sede abundante e um sentimento.
Muito mais que frases. Um hino. Um homem dono de um destino.
Palavras num diário.
E depois os fatos, antes somente povoando o imaginário.

Não entenderam nada?
R: ontem eu fui assistir ao filme "Diários de Motocicleta"

MARIANÍSSIMA . . [10:43:20 AM].


Sábado, Maio 29, 2004

SUBSTÂNCIA: AMOR

Tomo todas as sílabas prescritas pela sua boca de cura.
Fico bem. Passo bem.
Ultrapasso a dosagem.
Abuso.
"USE COM MODERAÇÃO"
Não presto atenção.
E assim eu me extrapolo toda de você e entupo meu peito mais que devia.
"Você vicia, sabia?"

Fui ao médico do coração e ele, com o semblante sério, virou-se para mim e disse:
"Seu sintoma, minha filha: ingestão abusiva de substância química. Compulsão."

Perguntei assustada:
"O amor é substância química, Doutor?"

MARIANÍSSIMA . . [5:11:09 PM].


Quarta-feira, Maio 26, 2004

O MAL que me atormenta... (Parte 1)

Sobre o que tenhos nas mãos eu chamo de indecisão. Esse câncer que parece não se intimidar com os tratamentos e insiste em crescer, crescer, crescer...
Tenho um câncer destes, e quem já não teve? Na verdade, foi contaminado pelo câncer de outrem. Vivo então, infelizmente, uma história de descontrução sem ao menos saber ou com qualquer esperança de que ainda há cores para usar neste quadro que parece estar em estado terminal.

Felipe Fernandes . [3:13:39 PM].


Sexta-feira, Maio 21, 2004

E a cada passo, me esquivo, oculto, me perco. Uma pausa (em que esquina?) tenho boca, olhos e mãos tristes que negam o desejo e afanam alguma esperança (paradoxo?) - Você por aqui?

RENATA CORRÊA . [4:13:15 PM].


Quinta-feira, Maio 20, 2004

De todos os sentidos

Lembro da luta de Ikki na casa de Virgem. O cavaleiro de ouro da casa de Virgem era um dos mais temidos. Na batalha o cavaleiro, cujo nome não me recordo, começava a retirar os sentidos de Ikki. Eu, jovem menina, pensava... Já vi pessoa sem visão, sem audição... Sem olfato e paladar é estranho... E sem TATO? Eu nunca tinha ouvido nenhum caso de pessoa sem tato; e esperava ansiosa pra saber como seria não ter tato. Retorcido. Foi assim que o Ikki ficou sem o tato. Achei estranho... como pode uma pessoa não sentir? Não sentir frio, calor, chuva, áspero, macio...
Os 5 sentidos: tato, olfato, paladar, visão e audição. Estes dois são fundamentais, claro! Mas há pessoas que conseguem viver sem eles... Agora, imagine viver sem tato? Sem poder sentir se está frio para agasalhar-se, se a panela está quente... Sem olfato, como iríamos sabar se algum lugar distante está pegando fogo antes da fumaça chegar a nossos olhos? E o paladar? Como saber se uma fruta está podre se ela está enganando os olhos e o nariz está entupido (como o meu agora)?
Num certo momento usava muito esses três verbos: Ser, Estar e Ter. Mas como podemos ser, estar ou ter algo ou alguém sem sentir? Sentir é tomar para si. Trazer um pouco das coisas, das pessoas e do mundo pra dentro da gente. Mesmo que tudo não passe de impulsos elétricos que irão se perder nas profundezas do inexplorado cérebro humano. De qualquer forma... Alguém esquece como é o gosto do mamão?




Tô mal. Tô espirrando tanto que tô vendo a hora do meu cérebro sair junto com essa maldita corisa. Por isso, devo só colocar um template temporário aqui. Eu tô sem criatividade e o Felipe sem tempo. E talvez nem consiga colocar hoje. Quero deitar. Ai meu nariz.

CARLA LEMOS . [6:55:38 PM].


Quarta-feira, Maio 19, 2004

Alguém aí ATCHIM tem ATCHIM um lencinho ATCHIM pra emprestar ATCHIM para a pobre ATCHIM alma que é ATCHIM o meu nariz?
ATCHIM!
Foi mal, eu não queria cuspir na sua cara toda.
ATCHIM...

MARIANÍSSIMA . . [10:22:36 PM].


GERAÇÃO PAC MAN

O que me deixa chocada na minha geração não é a descrença nas coisas, pessoas, sentimentos e instituições. O que me deixa embasbacada é como as crenças foram substituídas.
Não acreditamos em revolução, mas acreditamos num estado de bem estar social, que vai vir não sei como. Não acreditamos na religião, mas lemos Paulo Coelho, não acreditamos no amor, mas esperamos alguém que nos resgate. Fingimos serem novos e modernos os valores de uma revolução de costumes que aconteceu há mais de trinta anos.
Perspectiva? Zero. Ou todas. Uma geração de autistas que fantasiam com um futuro american way of life, onde todos serão jovens para sempre. Um horror, na minha opinião. Todo mundo sofre muito, sente muita culpa, sente muita dor, mas não faz nada. Às vezes eu acho que é uma reação, essa dor toda, algo como "ah, vá se fuder, essa sociedade valoriza demais o prazer, o bem estar, então não vou gozar, vou sangrar...", mas mesmo como reação, é muito frágil. Nem as drogas, essas maravilhas, servem para curtir. Servem como justificativa. Servem para esquecer, para ficar fora do ar, inconsciente. Um saco.
Mais um vício, mais uma noite, mais uma trepada, mais um amigo de ocasião, e os dias passam, o medo cresce e cada vez mais o individualismo toma conta de nossas cabecinhas ocas.
O fato é que morreremos todos jovens, de tiro, overdose, tropeção na casca de banana, atropelamento. E pelo ar boiarão os fragmentos de nossos projetos não realizados.

P.S: Para quem perguntou, não, eu não acredito no Senhor Deus todo poderoso. E não discuto mais sobre isso.

P.S2: Eu não leio Paulo Coelho. Mas pesquisas indicam que seu público é prioritariamente de mulheres entre 18 e 35 anos das classes B e A.

RENATA CORRÊA . [12:48:15 PM].


Segunda-feira, Maio 17, 2004

Questão 1) Pq o silencio ameaçador insiste em arrebatar os corações barulhentos?

Felipe Fernandes . [5:58:48 PM].


Domingo, Maio 16, 2004

SÓ POR DIZER.

Como pode sofrer uma mulher com o excesso de amor que lhe é dado? Cuidado com aquilo que desejas... Pode se tornar real. Queremos tanto gostar de alguém que pouco importa o amor em si. E de repente você se vê ali, com aquela pessoa ótima que diz eu te amo sem parar, mas que não é aquela pessoa. O inferno do amor não correspondido é ainda pior para o lado que não corresponde. Quem ama, pode lutar pelo amor, com a felicidade apenas a um passo a frente. Quem não corresponde estará para sempre algemado pela culpa de sentir apenas afeição. E afeição, para quem busca aquele eterno afã amoroso, é praticamente um castigo, pior que o maior dos desprezos. Omitir, enganar mentir, usar de todos os subterfúgios é uma péssima solução. O seu par todo serelepe, achando que ganhou na loteria e você louco pela liberdade... Livre como um passarinho, sem ter que dar satisfações a ninguém, sem precisar fazer planos que não vão se realizar, escolhendo o estilo dos móveis, o bairro da nova casa, a raça do cachorro, o nome dos filhos. Uma liberdade especial, de pensar, de sentir, de experimentar, de gostar, de não gostar, de amar o mundo, de emburrar para o mundo, de andar sem rumo, de tudo isso. Quando você acha alguém com esse mesmo espírito é fantástico. E se essa pessoa for alvo do seu maior amor, aquele desinteressado, sem apego ou neuroses, bingo! Você tirou a sorte grande, maior que a loteria, melhor que dólar a noventa centavos, melhor que comprar pirulito e ganhar viagem para o Caribe. Mas, para nossa infelicidade, somos criados para amar com amarras, para forçar a barra. Isso é o amor como bem de consumo: Tenha o carro tal, more na Barra, faça tal curso, tal viagem, tenha melhor emprego que seus vizinhos, filhos mais bonitos, seja sarado e ame e seja amado loucamente por uma pessoa tão fantástica e tão bem sucedida quanto você. Ou mais, por que aí é golpe do baú e você ainda é mais esperto também. Nunca se aprisione. Ame livre. Nunca fique com aquele cara que é tão bonzinho e te trata tão bem, só porque ele é bonzinho e te trata tão bem. Só alimente o amor que for verdadeiro e tão grande que possa passar por cima de regras, estereótipos e ser único, singular o seu amor. Quem viveu já sabe, quem não viveu vai saber. Porque quando acontece...é reconhecível de imediato, e o pior, sem remédio.

RENATA CORRÊA . [6:57:10 PM].


Sábado, Maio 15, 2004

Click, click... Um quase silêncio incômodo. tec, tec, tec... Cada um no seu canto. Uma música começa a invadir levemente as ondas. Baixinha. click, click... As pessoas passam. E olham. Pra mim, talvez. Através mais provável. tec, tec, tec... click, click... Os pêlos começam a arrepiar.click, click...
Não sinto mais as pontas dos dedos...click, click... tec, tec, tec... click, click...Brrrrrrrrrr... Que frio. ha, ha, ha...tec, tec, tec...blá, blá, blá...click, click... Quer café? Olho ao redor. click, click... tec, tec, tec... Os telefones tocam... E cadê vc?

CARLA LEMOS . [1:01:39 PM].


Quarta-feira, Maio 12, 2004

Crônicazinha escrita há um tempo atrás por esta insône que aqui vos fala.
Basta de post toscos!
Porque mudar é legal!

Com vocês: A ANDANÇA DA MUDANÇA

Foi daquele jeito mesmo: desliguei o telefone com o Felipe e fui arrumar minhas malas para seguir rumo ao desconhecido; ao que nunca tive coragem de me permitir descobrir.
Havia me formado em Odontologia, porque sempre foi o desejo de meus pais. Mas e o meu desejo? Bem, eu fingia para mim mesma e para meu sonho de cursar Turismo ou Hotelaria, que Odontologia era o máximo! Que ser dentista era muito divertido...Mas...ledo engano...
Ser dentista era um horror. E eu comecei a notar isso somente quando iniciei meu questionamento sobre o futuro...sobre minha vida. Afinal de contas, eu estava com um diploma de dentista na mão aos 23 anos...e já havia se passado 4 anos. O que eu iria carregar para o "lado de lá", depois que eu saísse deste plano? Dentes?...Credo...
A idéia de que minha vida se resumiria a dentes, bocas (às vezes impregnadas de mau hálito...) abertas na minha cara, diante de meus olhos - que queriam ver o mundo - e, por fim, num casamento por pura conveniência com o Felipe, ia me deixando sem ar, me dando tontura. Eu queria gritar. Queria berrar para mim mesma que o Felipe era um sem graça e que não queria ver mais bocas fedorentas (ou não, tanto faz...). E berrei. Esperneei para mim mesma e para aquela grande coisa que eu havia desenterrado do fundo do armário. Agora ela estava arreganhada sobre minha cama. Interessante aquela grande coisa...Eu a encarava com um sorriso maroto. Formato? Quadrada, gigantesca e cheia de coisas que nem eu mesma sabia ao certo o que eram e por quê havia colocado ali. Minha antiquíssima mala era que estava aberta descaradamente diante de meus olhos arregalados.
Não pensava. Aliás, pensava...Pensava em quantos olhos, arregalados também, eu tinha para ver, quantas bocas sorridentes para sorrir junto comigo. Pensava sob quantos ângulos diferentes eu veria o sol nascer e se pôr; quantas culturas, sabores, comidas, cheiros e perfumes eu iria experimentar em minha vida.
Medo...medo? Um pouquinho, talvez. Mas minha mala era muito maior. Superava o tamanho e a bagagem que o medo, esse estúpido sentimento, possuía.
Minha vida sempre fora a mesma coisa. Eu sempre carreguei o medo. Medo de contrariar aquilo que seria conveniente a todos, menos a mim. Agora não seria mais. Eu iria carregar algo menor em sua aparência, porém...muito mais interessante que aquela vida monótona.
E foi assim mesmo: "Boa noite. Eu também te amo. Até amanhã."...Só que, na verdade, era o "até nunca mais" ou "quem sabe um dia, não?". Mas não falei nada. E por que deveria? Agora, minha vida seria junto à mochila. Ela seria minha grande confidente e parceira. Seria com ela que eu me casaria. E não com o politicamente correto do Felipe.
"Sim. Eu aceito!" ¿ disse à minha mala (que dentro guardava uma enorme mochila para minhas andanças pelos novos caminhos e trilhas) antes de eu partir de casa e...partir para o mundo!

(Mariana Antonelli)

MARIANÍSSIMA . . [4:17:08 AM].


Segunda-feira, Maio 10, 2004

Eu estou viciada nesse troço daqui.
MEDO.

MARIANÍSSIMA . . [7:18:53 AM].


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MARIANÍSSIMA . . [4:39:37 AM].


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