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Sábado, Outubro 30, 2004

PARA A.


Querido, sinto dizer, o tempo, nada mais que o tempo.
Também andei, você sabe. Mas os caminhos foram de uma estrada que por suas escolhas, jamais tomará conhecimento.
Na última vez que nos falamos a ligação estava chiada, sua voz estava tão longe...Dizem que as linhas telefônicas no Catete estavam com problemas, mas eu acho que não foi por isso.
Soube do lançamento do seu último livro. Obrigada pela dedicatória. Claro, que apenas nós dois sabemos que a "jovem da fotografia" sou eu. Mas houve um atraso. Eu não sou mais aquela. Então afirmo: Nós não sabíamos de nada. E ainda não sabemos.
Quando Joana me entregou, não tive coragem de abri-lo. Continua o livro, morto na cabeceira. Essa história eu já vi várias vezes através das mensagens que você deixava para mim por aí. Para que ler adivinhando parágrafos, não é mesmo?
Lembra da casa no Flamengo, quando eu conseguia saber pela buzina que o carro era seu? Eu descia correndo, e sua mãe achava que eu tinha algum tipo de sexto sentido, hilário. É isso que acontece, eu te adivinho. Você ao meu lado seria uma redundância. Nós nunca gostamos de redundâncias...
Não entenda mal, claro que você ainda pode me surpreender. Mas eu não preciso mais, é isso.
Sabe, Julia adora aqueles gatos de porcelana. Eles ficam em cima do gaveteiro. Claro, ela ainda não tem altura, mas de tempos em tempos cisma em fitá-los, tão iguais. Quando ela sorri, fica com os olhos apertados, pequenininhos, como os seus. Incrível a semelhança sem nenhum laço de sangue, não é mesmo? Você deveria vir visitá-la um dia. Afinal, nos prometemos, se fosse menina, Julia. Mas só eu cumpri.
Meu doce pequeno burguês, aqui estou fazendo uma revolução que você jamais ousou sonhar. Nunca precisei de grandes utopias para poder mover o que está ao meu redor.
O mundo mudou. Mas não é esse, meu bem, nunca foi.
Da sua,
G.
P.S: Espero saber notícias suas. E não quero precisar ler o caderno literário de Domingo para isso.

RENATA CORRÊA . [12:50:36 AM].


Quinta-feira, Outubro 28, 2004

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Sem contexto
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CARLA LEMOS . [1:56:00 AM].


Segunda-feira, Outubro 25, 2004

[Na Terra da Hipocrisia]

Eu sou hipócrita.
Bem, é estranho começar afirmando tal coisa sobre si mesmo, até porque não resta outra oportunidade ao leitor senão acreditar nela.

E como eu, você, dileto leitor, também és um hipócrita. Somos todos frutos de uma terra de hipocrisias. Antes que pense, o amigo escritor (e hipócrita), iniciar um discurso político, preste atenção na seguinte palavra: "Desculpa".
Peça desculpa ao menos uma vez, e você já plantou hipocrisia nas palavras. Calma não se revolte, eu explico (ou pelo menos tento...).

Quando eu estava na faculdade, projeto-final, eu e meu grupo entregávamos alguns diagramas de modelagem de dados, e já não era a primeira vez que o nosso orientador havia nos mandado voltar pra casa pra corrigir uma serie de erros encontrados por ele. Blá, blá, blás acadêmicos à parte, em um determinado desenho (porque diagramas não deixam de ser desenhos), que voltava pela segunda vez às mãos do professor, pedimos desculpas por ter colocado um determinado "trocinho" no lugar errado. Então, para a surpresa de nós todos o professor parou e disse: "É uma grande hipocrisia pedir desculpas". Ficamos, lógico, calados esperando ele concluir seu até então desconhecido conceito. E ele continuou: "Se você não conhece o problema e erra, porquê pedir desculpas? Calar-se e aprender diante da própria ignorância é mais vantagem do que gastar palavras.", "E se você conhece o problema e erra, mais uma vez pergunto: qual a utilidade das desculpas se quem errou sabia do erro? Para tentar cobrir buraco que ele próprio cavou? (...)"

Só com esse pequeno discurso filosófico eu fiquei algum tempo pensando sobre o quão útil é pedir desculpas, quando o ato é mais redentor a quem concede do que a quem pede.

Na Terra da Hipocrisia, vivemos nós.


Felipe Fernandes . [10:53:30 PM].


Sábado, Outubro 23, 2004

PARA G.

Não me pergunte por que eu continuo a andar. Sei que não tenho mais grana, que meus sapatos tão furados.
Essa gente toda não sabe o que fala, meu bem. Desde que comecei, soube que seria assim. Vou negar que é ruim comer nestes botecos de beira de estrada e acordar pensando onde vou dormir? Mas é aí que reside meu desejo.
Sim, poderia estar na casa de minha mãe, ou até mesmo na minha própria. Mas o que me importam os convites, os salões, as mulheres que sorriem por conveniência? Aqui, eu sei que é real. Não existe nenhuma força que me empurra ao cotidiano, à morte.
Tenho três pares de meias, um par de luvas para os dias de frio. Aquele cachecol que você me deu, usei como toalha quando passei pela BR - 429. Não fique triste, eu precisei. Triste pra burro é ver que esse meu tonto, torto, te corta de algum jeito. Mas se eu não contar para você, vou contar para quem?
Tenho vinte e dois anos, e só um endereço para mandar minhas cartas. Se você chorar, não mandarei mais. E triste serei eu.
Ganhei um par de gatos de porcelana faz dois dias. Uma mulher disse que daria sorte, mas eles até agora não se manifestaram.
Só me dá um bruta medo de quebrar. Quem sabe um dia não os mando para você? Mesmo de longe funciona, ela me garantiu. Mas sorte para você, seria que eu tocasse sua campainha. Isso não vai acontecer, não agora. E você não sabe o bem que estou te fazendo. Serei melhor.
Antes de terminar, tenho uma confissão. No dia do seu aniversário fiz um brinde à mulher mais bonita que conheci. O bar estava cheio e tinha uma juke box. A dona, uma senhora muito simpática, deixou que eu pregasse a sua foto lá no alto, do lado de um São Jorge. Quem sabe um dia você não vê? Ficou tão bonito do lado daquela luz que deu até um nó na garganta, moça. Mas eu não chorei. Não se zangue, tenho outras fotos suas. Inúteis é verdade. Para que as fotografias se é você colada na minha retina cada vez que eu fecho os olhos?
Mande abraços para Joana. E para Fernando.
Para você, mando um pedaço do cabelo que cortei em Curitiba.
E não deixe papai ler essas cartas. Com certeza fingirá algum mal.
E por favor, não me espere,
Do seu,
A.


RENATA CORRÊA . [1:25:26 PM].


Quinta-feira, Outubro 21, 2004

.{comprimidos}.

Tava chovendo enquanto eu ia pra faculdade. Lembrei de um dia, passando pela mesma rua, eu de ônibus. Vendo a chuva cair lá fora e observando a desconexa sincronia do limpa-vidros. De tempos em tempos eles se encontravam e entravam em perfeita sintonia. Mas, a chuva era forte, e um acabava sendo mais rápido que o outro e aquele belo encontro aclamado pelo som das gotas incessantes era desfeito, na certeza que haveria outro. Sempre assim. E, senão houvesse a certeza de um próximo encontro? Deixariam que esse momento passasse tão rápido?

Suspiros, toque, respiração. Desejo, necessidade, vontade. Sexo, prazer, traição. Crime, castigo e culpa. Calor, corpo, transpiração. Noite, casto, sereno. O corpo nem sempre se contém.

CARLA LEMOS . [1:42:33 AM].


Terça-feira, Outubro 19, 2004

[Carta à um amor que nunca tive]

Engraçado como o tempo passa mas o sentimento não.

Ainda penso em você mesmo tendo envelhecido 10 anos. Tenho saudades dos abraços que nunca te dei e dos beijos que nunca tive a oportunidade de experimentar. Interessante que, apesar de tudo, parece que te conheço há séculos, sem nem saber que comida você gosta ou que música prefere.

Ontem pensei naquele fatídico dia em que nos falamos pela primeira vez. Era Novembro, final do ano e nem uma borracha tive coragem de pedir para pelo menos tentar iniciar uma conversa. Veja bem, não era medo, era super-valorização mesmo. Quisera eu não ter me apaixonado tanto por você. Talvez você fosse uma menina legal, nem isso pude saber.

Esperei 9 meses para falar contigo pela primeira vez e quando pude, não disse nada. Para falar um "Oi" foi um martírio e, depois de 2 minutos (a duração da nossa conversa), estava suado como se tivesse jogado uma pelada de 3 horas. Nem lembro o que falamos, só lembro da tua voz e do sorriso antes do "Tchau."

Resolvi escrever a carta para acabar com esse dilema. Gostaria que soubesse o quanto você foi importante para mim, mesmo indiretamente e quantas vezes suspirei e vi sua imagem nas milhares de janelas embaçadas que presenciei. Sinceramente, tenho consciência que dificilmente lhe verei novamente, mas, caso isso aconteça, não fique surpresa caso eu me arrepie.

Engraçado como o tempo passa mas os sentimentos não.

GIOVANI VASCONCELLOS . [10:04:08 AM].


Segunda-feira, Outubro 18, 2004

DA NATUREZA HUMANA

"Buscas,
Nós a criamos...
Nós a rejeitamos...
Nós fugimos...
Nós conquistamos...
Buscas."

Parece não ter fim, e me falam de livre-abítrio, de decisões e escolhas,
mas contentar-se não é o algo que move da natureza humana, não da minha pelo menos.

Me diga, o que há de mais triste do que refletir e não sentir o incandescente brilho da conquista próximo de nós?

Caçadores, aventureiros, desbravadores cada um desenvolve um tipo dentro de si (e alguns desenvolvem todos), que nos alimenta regularmente de dúvidas e questionamentos para nossa evoluçao e ainda leva sustento às partes do corpo que uma suculenta refeição não nos dá, a mente.

Felipe Fernandes . [11:04:20 AM].


Sábado, Outubro 16, 2004

VIDE O VERSO

Tenho que confessar. Nunca fiz um soneto. Mesmo por que para alguém fazer um soneto, tem que ter paciência coisa que de fato nunca tive e principalmente, flertar com a virtude. O vício e o trágico, o grave: Fora.
Por isso nunca escrevi um soneto, sabe? Nunca tive paciência.

***

Quando chego num restaurante, tendo ao lado uma companhia inédita, fico encabulada. Sabe, não sei o que acontece, afinal, já fiz e vi coisas que fariam corar senhoras não tão distintas. O que será que acontece então?

***

Bem na janela. Aquela árvore prefere a minha janela. Poucas coisas no mundo me parecem tão trágicas quanto uma árvore que não aceita seu local de nascimento e fica invadindo as janelas alheias. Boba que sou, a deixo entrar. Sabe, sempre me emociono quando vejo alguém lutando contra a ordem das coisas.

RENATA CORRÊA . [9:03:35 PM].


Quinta-feira, Outubro 14, 2004

A vista da cidade a noite é bonito.
Do alto de um mirante vejo além do horizonte de neblina.
Outras cidades, tantas vidas.
Apenas mais um clichê.

-Tá vendo aquelas luzes no pé do morro? É o complexo de Bangu.
-Jura, é ali?!
-Aham. Essa cidade é enorme, e a mídia só mostra a violência. Tem um assalto ali, outro ali, e mais um ali. A cidade toda se resume a esses 3 acontecimentos.
-A cidade nos parece muito mais violenta do que realmente é. Acho que tem gente que vê isso tudo e pensa: Ah, tanta gente já "rôbá", não tem problema se eu "rôbá" também. Aí, as coisas acabam piorando.
-Interessante sua teoria. É a sociedade do espetáculo!
-Somos o país da cocaína e carnificina! Eles nunca tiveram aqui pra saber das coisas...
(...)

A sideúrgica continua funcionando
os faróis acendendo
Pardais piscando
Alguém lendo
Pessoas fumando
Casais fudendo....

É bom estar de volta...

CARLA LEMOS . [1:35:40 AM].


Quarta-feira, Outubro 13, 2004

E FOI ASSIM

- Experimenta.
- Sei lá...acho melhor não.
- Cara, você vai gostar. Tô te falando.
- Será? Acho que não sobrevivo 2 dias.
- Você é fraco mas nem tanto. Pelo menos 1 semana fica em pé.
- Hum...
- Fica assim: Você experimenta. Se não gostar, fala comigo.
- Tu vai fazer o que?
- Te tiro dessa e você sai ileso. Fica frio.
- Na boa?
- Aham. Mas tenho certeza que vai gostar.
- Como tem tanta certeza disso?
- Sei lá...você vicia em tudo mesmo.
- HAuehae...babaca.
- Vai dizer que tô mentindo?
- Não.
- Então pronto.
- Eu ficando viciado...faço o que?
- Relaxa e mantém o vício. Esse vício é bom.
- Hum. Mó papo de avião, hein?
- Doido, cola com quem sabe. Aprende com os feras.
- Pô, pode crer. Conheço alguns que são mesmo...
- Tá vendo? Tu já tá no meio e nem sabe.
- Pô...será que um dia eles me aceitam? Seria muito maneiro, né?
- Aham. E quando isso acontecer, fala dessa conversa que tivemos.
- Ok...pode deixar, esqueço não.
- Vai na fé, criatura.

Para a tristeza de todo mundo que visita o blog mais umbilical da web, venho por meio desta avisar que agora também faço parte dessa bagaça. Felizes ou não, continuo até ser despejado.

GIOVANI VASCONCELLOS . [10:34:50 AM].


Sexta-feira, Outubro 08, 2004

HOJE,

Por que do lado escuro nunca acho um canto quente pra me aconchegar? E quando os dias se assemelham com as noites, em minha mente, uma voz insiste em me dizer coisas que eu não quero ouvir?
Minha crise, hoje, minha condição é de um bêbado que sabe escrever com as teclas, mas que há tempos não pega com firmeza do punho, a pena. Onde as idéias e desejos vêem e vão, vou banhando-me nesta maré de inconstâncias sem viver intenções.
Prolixo e redundante, tentando achar um caminho errante.

Felipe Fernandes . [2:52:41 PM].


Quinta-feira, Outubro 07, 2004

NA JANELA

Eu falo sobre entregar os pontos. Pois mais ríspido não poderia ser. Entregaria então, ao subterfúgio fácil, à carne, traição.
Vi um senhor passar de chapéu, e chovia.
E o poste fazia gotas brilhantes dançarem no chapéu (plic plic plic - odiosas chuvas fracas).
Mas tão frágil: proteção inútil - a água escorre em ombros de ternos, inventam negro no cinza, e aí, nada mais.
Houve então, naquela época, quem me dissesse que poderia sim, articular um revide sórdido. E que ainda sim, seria de um perdão quase angelical. E de toda indulgência.
Foi-se o tempo que a honra era lavada com sangue. Não existe honra, muito menos, sangue possível de purificação.
Tão bonita a fumaça no vidro!
Um telefonema.
E fica, por favor, não vai.
Não tem ninguém do outro lado da linha.
Melhor continuar inventando vinganças - esperando que ele volte.


RENATA CORRÊA . [11:11:48 AM].


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