umbigo(s)

Sexta-feira, Dezembro 31, 2004

Um dia, tão entranhada no mundo mágico das palavras, um poeta, na faixa dos 50 anos (não sei ao certo, pois nunca nos vimos) escreveu pra mim...
Ele disse que acompanhava meus poemas e pediu para que eu aceitasse este.
Dele para mim.
A percepção dele diante dos meus poemas.
Só lembro que chorei.

Ontem pouca coisa entendi.
Mas eu pensava: "Um dia compreenderei!"
Hoje trago-a pra vocês...


INVEJA (para Mariana Antonelli)

Leio os versos da menina
que desconheço traço ou sina
Apenas leio seus versos, levemente
como quem apassarinha semente.

Cataratas abruptas dentro das palavras
Vou descobrindo, afogado nas águas
universo em desencanto, amor perdido
que em minha metáfora nunca vi traduzido.

Rosbife mal passado esse seu amor escancarado
sentimento sem remorso, cristal estalado
Apenas uma dor, leve e risonha
pelo ausência de cheiros em suas fronhas.

A medida em que penetro nessa poesia
reporto-me a mim, quando singrava outros dias.
Lembra-me amor inocente, cartas que escrevia
e nunca postava: o remetente era o destino da missiva.

Tenho inveja dessa moça, desse amor declarado
da forma como descreve a ausência do amado.
É tão carregada de reentrâncias, umidades
humores revelando o corte em toda sua unidade.

Tenho inveja da poesia que ela faz sem medo
de revelar sua fragilidade, o erro, o acerto.
Tenho inveja do homem por ela amado
que não sabia que amor bom é o inventado .

Perdão! Mas invejo a franqueza crua em seus versos
Versos que jamais farei, posto não ser tão complexo
a ponto de declarar inquilino o instinto que me compele
a sentir pena de quem não soube ler além da sua pele

Leio seus versos enquanto a noite se adentra
pela casa, pelas palavras e por fim se senta
ao lado do homem que sabe que, do outro lado
o medo dela atrairá outro verso a ser invejado.

JOSÉ GERALDO MOREIRA

MARIANA ANTONELLI . [4:59:45 AM].


Domingo, Dezembro 26, 2004

Da série convidados:

Umbigo

No início
nos liga com a fonte
até o dia que nascemos

depois
temos uma difícil tarefa:
perceber que o mundo
não gira ao redor dele

Ao ficarmos mais velhos
Caçamos outro umbigo
caçamos um pra amar

Logo que percebemos
Deixamos de ser apenas um umbigo
disse bem, logo que percebemos

Há seres que passam a vida
olhando apenas
pro próprio UMBIGO

Leandro Ferreira


Quem quiser postar um texto aqui, mande email pra um dos umbigos acima.

CARLA LEMOS . [6:43:47 PM].


Quarta-feira, Dezembro 22, 2004

PRIMEIRO DIA

Observei surdo
As palavras
nasciam mudas
dos olhos abertos

Música, beijos e algo mais:
Palavras e afagos

Sentia soboroso sutil,
O cheiro de veludo
E o caule sustenta emoção
Seguimos...

E mesmo com pressa,
dos relógios não nasciam dias

Palavras e afagos
Música, beijos e algo mais

Então, fechar os olhos
confiante na estrada etéreo
Algumas mãos: minhas e suas
Nossa voz entrelassada;
Felicidade calada.

Felipe Fernandes . [3:19:03 PM].


Terça-feira, Dezembro 21, 2004

[Conversando com meu espelho]

Nao sei até quando ficarei assim
Aparentemente cansado, triste e deprimido
Dando a entender que tenho medo até de mim

Rodeado de amigos mas, no momento, solitário
Percebo tudo que acontece à minha volta
Mas não faço nada, chega a ser hilário

O interessante é que, ao contrário do mundo
Acredito estar num excelente momento
Aprendendo mais cada segundo

Insano? Talvez, mas isto não acredito ser
O meu momento era ruim e agora ficou bom?
Só mudei a maneira de ver

GIOVANI VASCONCELLOS . [12:31:34 AM].


Quinta-feira, Dezembro 16, 2004

Eu tô entrando de férias.
Preciso desse tempo, pra colocar minhas idéias no lugar.
Um turbilhão delas surgem na minha cabeça, mas não consigo descrevê-las.
Na verdade, não tenho gostado do pouco que tenho escrito.
Então, é isso...
Até 2005!!!

P.s: Aceito sugestões de livros, receitas, simpatias e sites.

CARLA LEMOS . [2:56:26 AM].


Terça-feira, Dezembro 14, 2004

[O Diário Esquecido de uma Pessoa Ingrata]

"Estou com 10 anos. Meus pais, após inúmeras tentativas frustadas de me levarem para uma escolinha de vôlei, perguntaram pela 39ª vez o que eu quero ser quando for maior. Respondi novamente que odeio esse jogo ridículo e quando fosse maior seria um adulto. Eu sou uma comédia e eles morrem de rir comigo."
--
"Fiz 14 Quinta-Feira passada e minha mãe, tadinha, tem tentado me colocar numa aula de natação há uns 2 meses. Meu pai fez a mesma pergunta de 5 anos atrás e acabei brigando com ele. Respondi que ainda era jovem demais e independente do que fosse, me daria bem e teria dinheiro, uma vez que sou inteligente. Natação é chato pra caramba mas meus pais conseguem ser pior ainda."
--
"Hoje perdi o meu emprego. Aos 24, sem mulher, com um filho de 2 anos e cansado, ainda tenho que escutar meus pais dizendo que me ajudam e que podem pagar a comida dele e ajudar com empregada e tudo mais. Eu, com 24 anos na cara, vou me humilhar e aceitar a esmola deles? Fala sério! Sempre em cima de mim, enchendo o meu saco. Daqui há 2 semanas eu arranjo um treco legal novamente."
--
"Hoje é meu aniversário. Como presente, consegui pagar os 3 meses de mensalidade atrasada da Escola da Bianca. Estou com 31 mas parece que tenho uns 50. Preciso fazer algum exercício físico mas as aulas do supletivo estão acabando comigo. Meus pais, aqueles desalmados, sumiram e nem perguntam mais como eu estou. Nunca me ajudaram e se importaram mesmo, foda-se."
--
"Chego aos 39 anos feliz da vida por conseguir, finalmente, colocar meu filho de 10 anos para fazer a escolinha de vôlei que eu tanto queria quando apenas um menino. Sempre quis nadar bem ou ser jogador profissional, pena que nunca tive incentivo dos meus pais, aqueles tiranos, que nunca me apoiaram nas necessidades."

GIOVANI VASCONCELLOS . [10:28:17 AM].


Segunda-feira, Dezembro 13, 2004

BISCOITO CHINÊS

Existem coisas na nossa vida que não tem como deixar passar.
Eu vivo em pleno "inferno astral", dizem, e tenho tido alegrias imensuráveis. Como sempre digo: Tudo depende mais de nós do que de qualquer um.
Engraçado, pois já é a segunda vez que ganho um biscoito da sorte que vem com a mesma mensagem: "Torne-se forte eliminando de forma consciente tudo que é degradante e inferior".

Felipe Fernandes . [11:27:31 AM].


Sábado, Dezembro 11, 2004

UM TIPO ESTRANHO...
...um tanto quanto esquisito, que vê bailarinas na noite de teto branco, que dançam, até que eu durma. Um tanto quanto crise, um tanto quanto blasé, um tanto quanto pouco se fudendo - e por dentro, ah! por dentro - engolindo quilos de sal.
Mas quem chora vendo TV e pula por cima de outras misérias, que anda pela rua sem direção (eu e a rua - ambas), e ainda sim diz que pode, e deve, seguir.
Ver um mundo torto nunca foi sorte de grande valia, mais fácil ajeitar discretamente o quadro que pende para a direita; quem vê sabe do que falo, e tão grande estranhamento não pode ser, de fato, coisa boa para quem o tem.
Prefiro, prefiro, digo a quem me pergunta. A verdade é que não tive escolha.
Mas um segunto que fosse, gostaria, como um cego, verificar - não se o céu é azul. Mas sim, o que é tal cor.

RENATA CORRÊA . [9:28:17 PM].


Sexta-feira, Dezembro 10, 2004

P) Tu é gay?
R) Não. E tu?

P) Tem certeza?
R) Tenho, porra.

P) Me manda então aê uma foto pelado?
R) Não. Se eu sair na G, você compra?

P) Quem escreve seus textos?
R) Eu ou o pseudo-eu ou alguma entidade que baixa no meu corpo.

P) Você é fotografo?
R) Aprendiz de amador e sem dinheiro pra comprar uma câmera.

P) Faria um book pra mim?
R) Claro moça. Manda a proposta aê, só não garanto se você vai ficar bonita...

P) O que você usa pra editar as fotos?
R) pula a pergunta...

P) Você lê todos os comentários?
R) Leio sim e gostaria até que comentassem mais. SACO.

P) Já te vi em São Paulo...
R) No PlayCenter em 86? No boteco na Vila Madalena em julho deste ano rodeada por publicitários insânos e egocentricos? É...pode ser que sim...

P) Tu é poeta? Escritor?
R) Não, e tu? Faz ballet há muito tempo?

P) De onde vem sua inspiração?
R) Acho...veja bem, eu aaaaaaaacho que vem da minha mente. Incrível, não?

P) Você mora em prédio?
R) Nao. Moro numa casa. Quer vir tomar um vinho hoje à noite comigo e conhecer meu lavabo?

P) Tem namorada?
R) Sim, mil vezes sim!

P) Me adiciona?
R) Nao.

P) E se eu não pedir?
R) Já está pedindo. E pela segunda vez...

P) .. ....
R) tá bom...adiciono, PORRA!

MARIANA ANTONELLI . [4:06:02 AM].


Quinta-feira, Dezembro 09, 2004

.[Conflitos existenciais - Parte 2].


Chega quinta-feira e é sempre isso: me pego em frente ao computador sem ter a menor idéia do que escrever. Mentira! Algumas vezes, uma idéia ou outra me tortura, mas as palavras nunca querem sair. Ou, pelo menos, se agruparem de maneira decente. Antes fosse obsceno, mas nem isso...


Essa época sempre fico meio reflexiva. É meio idiota isso. Ano novo... hummmm. Apenas mais uma medida de tempo. Planejamentos a longo prazo: esse ano eu vou...
Sou expert nisso. Num dos meus falecidos blogs tem uma lista que eu fiz ano passado com coisas que eu deveria fazer esse ano. Fiz 90% das coisas e ainda mais. A vida deu muitas reviravoltas. Mas, às vezes, parece que pouca coisa mudou. A saudade vai dando lugar a outras. Freud deve explicar: uma moça que passou a infância toda sem criar raízes e vínculos numa lugar devido a constantes mudanças, nunca se mantém fixa à uma determinada razão. Têm coisas que são pra vida toda, e sei que vão ser sempre. Como um bom vinil, quanto mais empoeirado melhor. Não sei, o que querer. De vez em quando, eu acho. Nunca vem a certeza. Nem a absoluta, metafísica, moral ou vulgar. Um impulso que me carrega, às vezes. Cada vez mais raro. Cada vez mais intenso. Só às vezes.

:::

Tem alguém do Uruguai aí lendo?

CARLA LEMOS . [1:05:50 AM].


Terça-feira, Dezembro 07, 2004

Eu sorria quando tudo dava errado e você me chamava de idiota.
Te amava quando me fazer sofrer era uma de suas principais habilidades.
Te valorizava mais que minha própria consciência e para ti nem valor simbólico eu tinha.
Perdi você mas finalmente ganhei algo de volta.
Eu mesmo

GIOVANI VASCONCELLOS . [11:30:35 PM].


Segunda-feira, Dezembro 06, 2004

Veludo

Li veludo sobre sua letra. E fiquei esperando você desvendar os panos.
E esperei...
esperei...
esperei.

Não me entendo diversas vezes.
Por pouco não desisti e fui seguir outro alguém pra me iludir; me fazer pensar que estou realmente apaixonada.

Você some e aparece, me enlouquece, esquece que eu não esqueço e depois surge e me diz "veludo" exatamente na beirada de meu ouvido...
E depois diz que meu coração é confuso, que eu não sei o que quero e que encho, às vezes, seus olhos com uma certa cor de vácuo.
E eu fico com um ponto de interrogação e mil caminhos engarrafados em minha garganta.
E quando finalmente respiro aliviada, deparo com a palavra veludo na minha cara.

E mais uma vez eu acredito e espero.

MARIANA ANTONELLI . [5:21:27 AM].


Sábado, Dezembro 04, 2004

(Sem título)


Foi ele quem fez do medo hábito. Ela não costumava recuar ou soprar os insetos que vinham em sua direção.
Esse ensinamento é simples: Todo amante é um pagão. E são aqueles sem fé, que temem os movimentos do céu (eclipses, horóscopos, luas e chuva). São aqueles que buscam, no chinelo virado ou no inocente gato preto, as razões de suas tragédias.
- Odeio fim de semana com sol!
O homem (cadeira de praia, guarda sol, porta malas), a mulher (filtro solar, pente, chapéu, bolsa) e as crianças (sanduíche, elástico, balde). E ela?
Ela tem Tv à cabo, 127 canais. E um celular, sem o número dele. De cabeça. Ou melhor de cor (Do latim, de coração, mas o que importa?). Ela tem depilação 15h e 30min. E unhas sem cutículas.
A areia é quente, e , surpresa! Cinco anos e um pé queimado. A água é fria, e, surpresa! Oito anos e olhos que ardem. Como competir?
Ela ouve Phill Collins e chora. Não entende uma palavra, mas chora.
O homem tira a aliança. A marca branca, o dedo marrom.
- Meu bem, preciso pagar o estacionamento.
O homem põe a aliança. Estende o dinheiro.
- Mãe pai mãe pai mãe pai (tá chegando?)
O chuveiro não está bom. E ela desliga o aparelho de som. Odeia Phill Collins, na verdade. Nunca gostou. A chaleira apita. Ferve água para preparar um chá emagrecedor. O chuveiro não está bom.
Alguém liga o ar condicionado. O Cd player toca MP3. A areia invade cada canto do carro.
- Ninguém limpa o pé direito antes de entrar?
- Pai, eu não gosto de camarão.
- Nem eu.
- Nem eu.
Ela abre a janela. Não quer se esconder. Ela fecha as cortinas. O medo, uma prática. O que é pra fazer quando se queima a língua? Não lembra, e nem vai ligar para perguntar. Mesmo se ligasse, quem saberia? Ninguém nunca sabe mesmo. E não conta nem para as suas amigas. Boas, iriam querer roubá-lo isso sim. Como ele, não há. O medo, instalado.
Na casa da avó das crianças. Isso, mas quem quer ir? Ré, seta, marcha. As placas verdes na avenida e um alívio.
- Tchau pai!
- Tchau pai!
Um beijo morno nos lábios. Meu bem. Que diabos ela quer dizer com meu bem? Nada. Se ela quisesse dizer alguma coisa, abriria a boca para falar algo além do vencimento da conta de gás, meu bem.
Não existem mais campainhas. Interfone não é nada emocionante. E agora ela corre até o quarto para colocar a blusa. Por que sabe que é ele. O porteiro já disse. E a blusa verde foi presente. Ele adora a blusa verde, o decote, o bico dos seios, ele nem sabe que é de propósito. Mas homens nunca sabem.
- Casa comigo?
Ela prepara o almoço. As crianças, zunindo pela casa.
- Foi ele que começou!
- Mentira, mãe, foi ela.
Quatro pratos na mesa. 1 vazio. E um DVD do Nemo. Mas criança sempre dorme depois da praia...Ainda mais de barriga cheia. Vai até o armário, e quem sabe não encontra aquela blusa verde que ele tanto gostava? Ele nem sabe que é de propósito. Mas os homens, esses, nunca sabem.


RENATA CORRÊA . [7:41:55 PM].


Quinta-feira, Dezembro 02, 2004

Sentada naquele bar. É tudo grande: ônibus com mola, rua com tamanho de avenida, prédios como espigões e a quantidade de álcool. De fato a cidade é cinza. Muito cinza com flashes coloridos. Soa como rock n¿roll. Mas, tem um quê de samba-canção. Sentada ainda naquele bar. O mundo vai girando, a mente quase rodopiando. Perdendo a sensibilidade da boca. Mordisco os lábios e nada sinto.
Longe do meu chão, e da segurança da casa arrumada. O perfume no lugar certo, pente jogado no meio de toalhas. Cuidado, na estrada ¿ ela disse. Mas, soa aconchegante. É um bar, afinal. Cadeiras, pessoas, petiscos e uma boa cerveja. Conversa, bom bate-papo e flashes que não tem luz. Imperceptíveis ao olhar de quem vê. Alguma coisa acontece nos corações alheios.
E na cidade. Consumo, sonho, gozo, fumaça. De qualquer tipo. Saudade. Peito. Aperta. Desejo, desejo, desejo. A cerveja tem gosto de sorvete, e arde como cachaça de um gole só. Aprenda a beber devagar ¿ ele, sempre, diz. Mas, já não posso ouvi-lo. Um brinde à entropia. E o telefone não toca. O beijo acontece, em câmera lenta eu vejo. Querendo estar sentada em outro bar.

CARLA LEMOS . [12:10:00 AM].


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