umbigo(s)

Terça-feira, Maio 31, 2005

Além de caduca, estou sem um pingo de criatividade...
enfim...
O tal poema que eu estava acreditando na possibilidade remota (beeeeeeeem remota messssmo...) de ser meu...
NÃO É MEU.
É do Moacir Caetano...(ler post abaixo)
Afe!
Eu sou praticamente uma indigente...

MARIANA ANTONELLI . [2:11:07 AM].


Sábado, Maio 28, 2005

Minha memória anda deveras caduca ultimamente.

Tenho mania de escrever meus poemas - que vêm de súbito - em forma de e-mails, os quais mando para mim mesma.
Quando me interesso por algum que li em determinado lugar, ataco de Ctrl C, Ctrl V e repito a ação: envio de EU para MIM MESMA.
Pois bem!
Dias atrás estava cantarolante arrumando meus e-mails na caixa postal, fazendo uma "limpa", dando uma "geral", quando me deparei com um destes.
Assunto: "poema"
De: Eu
Para: Eu

O poema:

"E se em dia, por acaso
em alguma esquina dessa vida
a gente se conhecesse

Acho que, num rasgo
de ousadia e loucura
de impulso e de momento

Te diria: criatura
divina, infinita, impura
tens o meu consentimento

invade minha vida escura
invade, me enche de ternura
me faz teu...

deslumbramento!"


Agora, o que tem minha memória caduca a ver com isso tudo???


Me perguntem se eu lembro se o poema é MEU o de alguém que eu achei interessante????????

OBS* quem for autor deste poema faça o favor de se pronunciar ou então se cale para todo o sempre e me deixa acreditar que fui eu quem tive este instante criativo, por favor, tá?!
OBS 2* eu tô falando sério!!!

MARIANA ANTONELLI . [3:51:58 AM].


Sexta-feira, Maio 06, 2005

Viagens por lugares inexistentes da América, parte 1.

Existia uma mulher na Seara de Mattos. A única mulher. Deus sabe como é duro estar num lugar assim, onde se é, apenas. Para alguns, sublime. Para outros singular. Para alguns muitos, um buraco, depósito, melhor que as cabras por pura questão anatômica. Ainda assim havia quem prefiresse as amigas de quatro patas, afinal, tem coisas que nem a única mulher da Seara de Mattos faria.
Até que chegou, de veleiro, um Sr. muito bem apessoado, com maletas cheias de perfumes, pinturas, jóias e sedas. A Seara de Mattos era um lugar de gente humilde, que deitava-se antes das dez da noite e sendo avançada a hora, o Apessoadíssimo Sr. resolveu ficar numa pequena pensão. Reparou assustado, que ali na Seara não havia nenhuma mulher, menina ou adulta, o que fazia do conteúdo de suas maletas completamente inútil. Decidiu partir assim que o dia clareasse.
Chegada a manhã, lavou-se e penteou-se. Desceu as escadas com firmeza, mas com muita firmeza, tanta, que tropeçou, e voaram as sedas e as jóias por todo pátio. Com a pressa que sentia, o mascate precipitou-se escada abaixo, quando se deparou com a mulher, única na Seara.
Ela olhava com tal felicidade e cobiça para os objetos, que suas feições se iluminaram. Os olhos eram de tal luz, pareciam até piscar sem pálbebras, luz de natal fora de época, confete de papel alumínio. Nosso herói viajante, valente, passara por muitas cidades, mas nunca vira nada parecido. Caminhando até a mulher, fazia marcas de brasa onde os pés passavam. As mãos de tanto suar, criavam poças no chão, de onde surgiam peixes, quase que imediatamente.
Pressentindo o perigo, os homens da Seara começaram a se aproximar, para impedir que seu único bem feminino fosse roubado por alguém que usava água de colônia. Mas era tarde demais. Poça a poça, um mar foi criado, e um vento benfazejo trouxe o veleiro para perto da escada.
Foram então, embora da Seara, Estevão, o mercador e Lourdes, a mulher. Souberam depois que a Serara de Mattos aos poucos foi definhando, junto com seus homens. Casados ficaram, até o fim da vida e tiveram três filhos homens, o mais novo, com escamas de peixe na planta dos pés. Chamaram-no Isidoro. Isidoro casou-se com Ana Amélia e teve mais duas filhas Magalá e Ana Cecília, a mais nova perdeu-se num acidente de barco. Magalá não casou-se, mas engravidou, e dois gêmeos nasceram. Um sou eu, Camilo, que conto a história. E se quiserem ver as minhas escamas, herdadas de meus parentes distantes, podem entrar, pela módica quantia de quarenta centavos na tenda do Circo Camilo de Variedades Fantásticas, o maior sucesso da América, de ponta a ponta, sem enganações, nem recursos pirotécnicos que subestimem a inteligência do respeitável público.

RENATA CORRÊA . [12:05:14 AM].


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